
Nos dias 25, 26 e 27 de agosto, levamos o colégio St. Nicholas para uma vivência de 3 dias na Pedra do Baú, localizada no município de São Bento do Sapucaí, em plena Serra da Mantiqueira. O objetivo da viagem era fortalecer nos jovens aspectos como independência, cooperação, comprometimento, respeito e integração.
Chegando na estrada de terra que leva à Fundação Pedra do Baú (nosso local de acampamento), trocamos do ônibus para um caminhão para percorrer os 5 km finais. A integração e cooperação já começou aí, com os alunos se organizando para mudar todas as bagagens e equipamentos de um veículo para o outro.

O clima seco perdurou os três dias, sem chuva e temperaturas amenas, ideal para realizar nossas atividades, tomando apenas cuidado para que todos bebessem muita água e passassem protetor solar e labial.
Chegando na Fundação, os alunos montaram as suas barracas e prepararam as suas mochilas individuais, com todos os itens necessários. Além dos 3 mencionados acima, ainda levavam capa de vento, agasalho, comida e lanterna.

Após vestirem os equipamentos técnicos para as atividades verticais, saímos rumo à Pedra do Bauzinho. Lá o grupo se dividiu em dois – um grupo faria uma escalada na via do André e o outro um rapel de 50 metros do topo do Bauzinho até o col com a Pedra do Baú. A face do Bauzinho voltada para o norte tem cerca de 200 metros de altura e a escalada ocorre nos 15 metros finais. A partir do topo os alunos desceram 15 metros e de lá escalaram até o topo. A altura é o fator que mais impressiona, e aqui muitos tiveram que se superar, enfrentando o desconhecido e o medo da altura. Com o apoio dos colegas, professores e guias, todos realizaram a escalada. Para alguns foi uma aventura divertida, um “passeio no parque”; para outros uma superação emocionante, e para todos uma vivência de respeito, cooperação, apoio, diversão e comprometimento.

Após um magnífico pôr do sol do topo do Bauzinho, voltamos ao acampamento caminhando, cansados e felizes. À noite, após o banho, um jantar calórico para repor as energias e ter disposição para o dia seguinte, ainda mais puxado que o primeiro. Um macarrão com 3 tipos de molho – de tomate, de queijo, e vegetariano. Mais uma salada de atum, alface, tomates e ovos cozidos.
A subida da Pedra do Baú pelas escadas da face sul seria a atividade do segundo dia. Saímos do acampamento às 8:30 e às 10:00 iniciamos a subida pelas escadas da face sul. Os guias da Treehouse já haviam fixado cordas em toda a extensão da subida, para assegurar todos os alunos, que subiram todos com cadeirinhas. Uma subida desafiadora para muitos, tendo que enfrentar o medo e o cansaço. O apoio que uns davam aos outros foi fundamental para que todos pudessem chegar ao topo. Uma menina com muito medo de altura foi até o seu limite, aproximadamente metade do caminho, e desceu com um guia para nos encontrar do outro lado. Foi valente e guerreira, pois não desistiu facilmente. Todos valorizaram a sua tentativa, percebendo que é a atitude em cada momento que conta, muito mais do que o feito, porque feitos de valor sempre virão quando se cultiva a coragem e o respeito.
No topo a recompensa de relaxar com o visual do vale, naquele dia seco de sol e céu azul, foi merecida. Após lanchar no topo, a descida pelo lado norte vinha a seguir. Os guias já haviam trocado as cordas de lado, fixando-as do lado norte para a descida. Muita adrenalina na saída, com 250 metros de vazio embaixo, mas todos enfrentaram a descida com muita garra e bom humor.


Na volta, uma parada na bica de água, gelada e cristalina, e uma hora e meia já com as lanternas pela trilha de volta ao acampamento. Nesse meio tempo dois alunos ainda sairam na frente e foram com alguns guias fazer o rapel do Bauzinho no pôr do sol, um espetáculo de visual. Um dia desgastante físicamente, e muito compensador para a mente e o espírito.

Noite de pizza no forno a lenha da Fundação. Todos se envolveram na atividade, preparando as pizzas com diversos recheios, assando-as no forno, e servindo os pedaços cortados em uma bandeja. Muito trabalho em equipe e companheirismo. Muita união entre todos, embaixo de um céu estrelado e com lua cheia.
Um time de alunos ainda ficou até mais tarde para limpar a cozinha… destaque para o trabalho de equipe liderado pela Giovanna, no épico desentupir da pia… uma cena à parte… quase um filme de terror…
Depois de sair triunfantes dessa batalha, um dos guias, a Samantha, colocou aos alunos uma interessante questão. Se cada um tivesse feito a sua parte antes, e não ter deixado nenhum resto de alimento na pia, será que o grupo de limpeza teria que ter passado por tal provação?
No último dia os alunos puderam escolher entre 4 atividades: uma trilha até a Ana Chata, a escalada do Bauzinho, o rapel na mesma pedra, ou ficar no acampamento para desmontar as barracas e dar um jeito na casa e na cozinha, deixando tudo pronto para ser colocado no caminhão que viria nos buscar ao meio dia.
Ninguém optou pela Ana Chata, e a turma se dividiu entre as outras 3 atividades. Muita diversão e união, superação e respeito, responsabilidade e foco. Todos completaram a escalada e o rapel, enquanto a turma que ficou no acampamento fez um excelente trabalho de desmontagem e limpeza.

Saímos no caminhão e rumamos para Campos, para um almoço de comemoração em um restaurante, e depois seguimos para São Paulo. No ônibus podia-se ver o cansaço nos alunos, e ao mesmo tempo um sentimento de realização, pelas dificuldades enfrentadas e superadas, pela união que a viagem trouxe ao grupo, pelos aprendizados, por cada um ter se conheçido melhor e ter tido contato com seus pontos fortes e outros a melhorar, por ter vivido uma experiência gratificante. Havia um sentimento de felicidade em cada um, o que me leva a pensar que Sócrates estava certo quando dizia que a felicidade não está em alcançar a conveniência e o conforto, ou o reconhecimento e a fama, mas sim alcançar o aprimoramento das virtudes. Os alunos passaram frio, cansaço físico, medo, sairam das suas zonas de conforto, superaram, cultivaram coragem, respeito, paciência, silêncio… e estavam felizes.

Até a próxima viagem!
Um abraço,
Filippo Croso
Treehouse Educação ao Ar Livre